O que é tarô ?
Talvez a primeira imagem que venha à sua mente quando se fala em tarô seja a de uma previsão imutável sobre o futuro. Ou quem sabe, a ideia de que as cartas possuem poderes sobrenaturais capazes de traçar o seu destino. É hora de repensar essa perspectiva.
O tarô é, antes de tudo, uma linguagem. Assim como aprendemos a ler palavras para interpretar textos, podemos aprender a ler símbolos para compreender situações. Ele funciona como um sistema visual composto por 78 cartas que serve para espelhar o que acontece no seu interior e no entorno. Tudo depende do objetivo ao fazer um jogo.
Imagine o tarô como um mapa de si mesma, de uma determinada situação ou do seu momento de vida. Quando você está perdida em uma estrada, o GPS não dirige o carro por você, nem garante o seu destino. Ele apenas aponta onde você está, quais caminhos são possíveis e onde existem obstáculos. A decisão de qual rota seguir continua sendo sua.
Muitas mulheres buscam o tarô em momentos de dúvida. Seja uma transição de carreira complexa, um impasse nos relacionamentos ou simplesmente a necessidade de se conhecer melhor. Nesses cenários, a mente racional muitas vezes entra em loop, repetindo os mesmos argumentos, não percebendo certas influências, ou reforçam medos. As cartas de tarô servem para quebrar esse ciclo com novos ângulos que talvez você não esteja conseguindo enxergar.
Neste conteúdo, você vai entender o que é o tarô de forma fundamentada. Vamos explorar sua origem histórica, entender a lógica por trás dos arcanos e descobrir como essa ferramenta pode ser aplicada no seu dia a dia.
O objetivo deste conteúdo é te dar autonomia. Ao final desta leitura, você terá clareza para diferenciar as variadas abordagens que rondam o trabalho com tarô e identificar qual delas combina mais com você.
O que é tarô de verdade?
Para entender o tarô sem a lente do misticismo, precisamos encará-lo como uma ferramenta técnica. Ele é um "baralho" formado por 78 cartas que funciona como um catálogo universal das experiências humanas.
Pense da seguinte forma: independentemente de cultura ou época, todos nós passamos por fases parecidas. Enfrentamos o entusiasmo do início, momentos de construção, crises que abalam nossas certezas e os êxtases de realização. O tarô nada mais é do que a materialização visual dessas fases. Ele dá forma e nome para acontecimentos, emoções e comportamentos que, muitas vezes, vivemos de forma desorganizada e despercebida.
Uma ótima analogia para compreender isso é olhar para o mundo corporativo. Quando você faz um teste de perfil profissional, o sistema agrupa uma série de comportamentos isolados para desenhar um "perfil" (como uma líder, uma executora ou uma analista). O tarô opera com uma lógica similar. Ele agrupa pontos em comum entre todos nós em cartas. Ao fazer uma leitura, usamos esses padrões para projetar sua história pessoal por meio de uma narrativa estruturada.
É aqui que entra o conceito de arquétipos. Pode parecer uma palavra complexa, mas a aplicação é simples: são ideias abstratas que ganham forma real e reconhecível. Por exemplo, quando vemos uma pomba branca, racionalmente sabemos que se trata de um pássaro, mas em determinado contexto, a associamos à "paz". A figura do animal torna-se um símbolo. No tarô, fazemos o mesmo: figuras ganham significado no seu contexto pessoal.
O papel do tarô, portanto, é projetar seu cenário interno e externo de forma conectada e organizada. Sabe aqueles pensamentos soltos, o incômodo sem nome ou a dúvida que parece não ter fim? O tarô pega tudo isso e coloca "na mesa" para ser observado, questionado e entendido. O jogo direciona o seu raciocínio, transformando o que está confuso em uma narrativa que faça sentido.
Veja o exemplo:

A origem do tarô: história e evolução
Para compreender a profundidade do tarô, precisamos olhar para trás. Embora a origem do tarô não seja um consenso entre estudiosos da área, as pesquisas históricas mais fundamentadas apontam para o norte da Itália, em meados do século XV.
Nesse período, conhecido como Renascença, o tarô surgiu nos salões da nobreza como um jogo de cartas chamado Trionfi (Triunfos). Era uma prática estratégica, usada em eventos sociais e cortes, muito distante da função que conhecemos hoje. Os baralhos mais antigos que sobreviveram, como o Visconti-Sforza, são verdadeiras obras de arte, refletindo parte da cultura e da estética daquela época.
A transição de um jogo para uma ferramenta de orientação não aconteceu da noite para o dia. Foi apenas no século XVIII, quase 300 anos após o surgimento do tarô, que as cartas ganharam novos significados e diferentes formas de uso. Nessa época, ocultistas franceses, como Antoine Court de Gébelin, começaram a estudar a simbologia das lâminas sob outras perspectivas. Eles sugeriram conexões com a antiga sabedoria egípcia e apontaram semelhanças com o lendário Livro de Thoth.
O grande salto, que moldou como vimos e usamos o tarô hoje, aconteceu no início do
século XX. Nessa época, o ocultista Arthur Edward Waite e a artista Pamela Colman Smith, criaram um dos baralhos mais populares atualmente, o Rider-Waite-Smith. Antes dessa versão, os arcanos menores numerados (como o 4 de Copas ou o 7 de Espadas) continham apenas desenhos geométricos, parecidos com um baralho comum de jogar. Pamela ilustrou cada carta com cenas humanas e narrativas visuais na intenção de tornar a interpretação mais palpável e acessível.

Essa mudança facilitou o estudo e a leitura do tarô, mas não alterou a essência do sistema. As centenas de baralhos que hoje existem podem mudar visualmente conforme a interpretação de cada criador, mas os conceitos centrais de cada carta permanecem os mesmos.
Como funciona o tarô ? A lógica por trás das cartas
É comum ter dúvidas sobre como funciona o tarô, especialmente pela fama mística que envolve a prática. Mas a lógica por trás desse sistema pode ser fundamentada em diversos campos, como na linguagem, na semiótica e na forma como o nosso cérebro processa informações.
O processo começa antes mesmo de embaralhar. A taróloga precisa entender exatamente o que será analisado. Normalmente, quem busca o tarô não chega com perguntas na ponta da língua, mas com um problema, uma dúvida ou uma escolha complexa. Aqui inicia a técnica: traduzir esse emaranhado de informações em perguntas objetivas. Quanto mais diretas as perguntas, mais claras tendem a ser as respostas.
Definidas as perguntas, a taróloga escolhe o formato de jogo ideal, ou seja, como as cartas serão organizadas na mesa. Existem centenas de formatos validados por anos de prática. Para cada objetivo, há uma estrutura adequada para contemplar o foco da leitura e aumentar a assertividade do jogo.
Com as cartas na mesa, a interpretação dos símbolos entra em jogo. Cada posição tem uma função específica (ex: "o fator positivo", "o obstáculo", "o desfecho provável"). Além disso, são analisados a temporalidade (passado, presente, futuro) e o plano envolvido (mental, emocional ou material).
Para cada carta virada, a taróloga cruza quatro informações simultaneamente:
1. Significado do arcano: qual é a mensagem central da carta?
2. Posição no jogo: em que contexto essa mensagem se insere?
3. Plano envolvido: estamos falando de comportamento, emoção ou realização concreta?
4. Tempo: a mensagem remete ao passado, presente ou futuro (tendência)?
Veja um exemplo de jogo:

Além da leitura individual de cada carta, é preciso interpretá-las em conjunto. O contexto amplo mora na conexão entre todas elas, formando o cenário único de cada pessoa.
O cérebro humano é programado para encontrar sentido. A confusão nos incomoda, por isso estamos sempre tentando conectar pontos. Quando uma história está mal contada, você não percebe logo de cara que algo está esquisito? O tarô facilita a percepção do sentido, seja no seu momento de vida ou em uma situação específica.
As cartas, selecionadas de forma randômica, funcionam como espelhos que organizam e integram o microambiente (o que você sente, pensa e faz) e o macroambiente (fatos, pessoas e acontecimentos). O papel da taróloga, portanto, não é adivinhar sua vida ou o seu futuro, mas decodificar símbolos e encaixá-los à sua realidade. O resultado é uma análise lógica que propõe sentido à aleatoriedade do cotidiano.
O jogo de tarô na prática: como jogar ?
Quando jogamos tarô profissionalmente, não se trata de uma brincadeira ou de adivinhação, mas de uma análise com caráter orientativo. "Jogar", na verdade, é ler a narrativa que se apresenta nas cartas para solucionar dúvidas reais.
O processo não depende de rituais místicos. O ponto de partida é técnico: você traz uma queixa, um problema ou uma dúvida para ser projetada nas cartas e analisada. Os contextos abordados são dos mais variados, indo desde questões profundas de autoconhecimento ("como estou agindo no relacionamento") até dúvidas puramente situacionais ("qual a melhor postura para essa reunião de trabalho?").
A lógica do tarô está na definição do melhor formato de jogo para contemplar o objetivo de cada consulta. Ao dispor as cartas na mesa, criamos um mapa onde cada "casa" tem um objetivo claro. No jogo de 3 cartas, por exemplo, a posição à esquerda aponta o obstáculo, a do meio indica o tema central, e à direita sugere como solucionar a questão. A estrutura linear organiza o raciocínio, mas o foco é conhecer o desfecho provável.
A prática do tarô é ampla, e, portanto, existem jogos em formatos circulares, triangulares, quadrados, em forma de cruz e estrela. Cada um deles possui funcionalidades, limites e possibilidades próprios. No jogo clássico de 3 cartas, a estrutura linear intenciona especialmente descobrir o desfecho potencial. Seu limite, contudo, é que ele aponta uma tendência, não uma garantia de resultado. Suas possibilidades de uso variam entre o autoconhecimento e a análise de cenários futuros.
Visualize abaixo:

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O obstáculo: o que está impedindo a situação de avançar.
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O tema central: sobre o que estamos falando.
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A solução: o direcionamento prático ou a postura recomendada para superar o obstáculo.
Jogar tarô exige técnica. É exatamente esse cuidado prático que garante uma leitura sob medida, mais assertiva e livre de vieses. Por isso, é importante dividir seu contexto com a taróloga. Apenas com esse entendimento inicial é que se tem base para identificar o melhor jogo diante do objetivo.
A responsabilidade também está em jogo. Existem limites que devem ser respeitados para a sua segurança e da taróloga. O primeiro deles é compreender que o jogo jamais tomará uma decisão por você ou por qualquer pessoa envolvida. O tarô pode clarear, sugerir e direcionar, mas nunca impor uma escolha ou dar garantias. Em segundo lugar, o tarô não realiza diagnósticos médicos e psicológicos. Em uma leitura, somente é possível ter pistas do que merece atenção na saúde física e no bem-estar mental.
Entender as possibilidades e os limites do tarô é essencial para utilizar a ferramenta da melhor forma. Projetar nas cartas seu estado interno e cenário externo torna toda a situação visual e, com isso, passível de observação. É um meio de organizar o raciocínio e notar as entrelinhas que, na maioria das vezes, não percebemos.
O poder da pergunta: O que abordar no jogo?
Uma das dúvidas mais recorrentes de quem busca o tarô é saber exatamente quais perguntas formular. É comum acreditar que é necessário chegar à consulta com um questionário pronto. No entanto, a tradução do seu contexto para perguntas objetivas é papel da taróloga. Cabe à profissional, que domina a técnica, identificar qual estrutura de jogo melhor atende à sua necessidade.
O ponto crucial é alinhar a expectativa sobre o que o tarô oferece. A visão popular ainda busca no tarô respostas pontuais de "sim ou não". Contudo, a vida é complexa e repleta de nuances, o que torna essa abordagem passiva e limitante.
Embora seja possível ler tendências de desfecho, o verdadeiro valor da consulta está em compreender as circunstâncias. Identificar o obstáculo que trava o avanço de uma situação e identificar a melhor postura para superá-lo torna a leitura muito mais profunda e útil. Conhecer os pontos cegos oferece a vantagem de agir conscientemente para transformar o cenário.
Sendo assim, o tarô é uma boa ferramenta para:
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Ter clareza e direção: compreender seu momento de vida, entender como você está agindo, mapear influências e definir táticas para alcançar metas.
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Tomar decisões mais seguras: diante de dilemas (ex: mudar de cidade ou permanecer; investir no projeto A ou B), o jogo projeta cenários e consequências, permitindo escolhas baseadas em informação.
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Fortalecer relações: seja no âmbito afetivo, familiar ou profissional. O tarô mapeia intenções, sentimentos e comportamentos, revelando pontos de afinidade e atrito. É ideal para entender bloqueios e definir a melhor postura para harmonizar vínculos ou resolver um dilema.
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Aprofundar o autoconhecimento: para momentos em que você sente que está andando em círculos, não se sente bem consigo mesma ou está constantemente envolvida em situações desgastantes. Fazer um jogo facilita a identificação da raiz comportamental e emocional que alimentam os ciclos.
O tarô não deve ser usado a todo momento e nem para qualquer assunto. Ele é mais eficaz quando você se sente "perdida" ou está com uma dúvida inquietante: quando não consegue visualizar tudo o que está em jogo e chegar em uma conclusão sozinha. É uma ferramenta que induz a reflexão e te torna mais consciente. Em hipótese alguma o tarô deve ser utilizado para impor escolhas ou oferecer garantias.
Segurança e ética no tarô: como encontrar tarólogos confiáveis ?
Com a popularização do tarô na internet, cresceu também o número de profissionais e ofertas de serviços. Em um mercado não regulamentado, saber identificar tarólogos confiáveis é uma questão de segurança.
Infelizmente, ainda é comum encontrar profissionais que utilizam a fragilidade do momento para vender soluções mágicas. Para garantir uma experiência ética e construtiva, fique atenta aos sinais que diferenciam um trabalho responsável:
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Evite promessas milagrosas: o tarô ético respeita a escolha de quem consulta. Desconfie imediatamente de quem "promete resultados". Ninguém tem o poder (nem o direito) de manipular a decisão e a atitude de outras pessoas.
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Cuidado com o discurso do medo: uma taróloga responsável jamais dirá que você tem uma "maldição" ou um "trabalho feito" que só pode ser removido mediante um pagamento extra exorbitante. Essa é uma tática clássica de extorsão. O tarô serve para trazer mais lucidez e autonomia.
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Evite a dependência: o tarô responsável orienta para que você tome as próprias decisões. Se o profissional estimula uma dependência nociva por meio de consultas diárias e infundadas, isso é um sinal de alerta.
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Não confie em diagnóstico médico ou psicológico: apesar da possibilidade de investigar o que merece atenção na saúde física e no bem-estar mental, o tarô é uma ferramenta complementar. Ele não substitui diagnósticos ou tratamentos médicos e psicológicos.
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Atente-se a vieses: O tarô é uma ferramenta interpretativa. Conhecer e confiar na taróloga que abre o seu jogo é essencial para evitar vieses pessoais que podem distorcer a leitura e comprometer a segurança.
Onde encontrar um atendimento seguro?
O Fundamentarô nasceu justamente para ser uma escolha segura. Se você busca uma leitura analítica, prática e responsável, abrir o jogo comigo pode ser relevante para você. Conheça as opções de leitura e agende seu horário!
Se você está com dúvida se o seu caso vale um jogo de tarô, podemos chegar a essa conclusão juntas. Me envie uma mensagem!
Quem faz o seu jogo de tarô
Meu nome é Marina Jordão, e há cinco anos uso o tarô para orientar meu raciocínio e desenvolver minha consciência. Com o apoio dele, passei a analisar contextos com mais critério, ajustar comportamentos e tomar melhores decisões.
Nos últimos dois anos, venho me dedicando ao estudo técnico e histórico do tarô, além da sua aplicação profissional. Quanto mais conheço, mais entendo a importância de fundamentar o assunto, tornando esse conhecimento acessível.
Além do tarô, me apoio em áreas como psicanálise, filosofia e sociologia, que oferecem base para as orientações e evitam vieses pessoais. Se você procura uma abordagem analítica com o tarô, posso facilitar o entendimento do seu momento de vida ou de uma situação complexa que está vivendo.


